História da Residência Artística de Ami e Amachi

Dois jovens estilistas de vanguarda do Japão. Vieram em busca de inspiração para a sua nova colecção, procuraram no próprio território e espaço de Vale de Gatos, o estúdio foi manancial para muitas descobertas, olhar, tocar, sentir diferentes materiais, texturas, cores, tudo feito com a maior atenção, discrição, imperturbáveis na leveza dos gestos e dos olhares, nos silêncios, quase invisíveis, uma cultura e um modo muito próprio de estar, uma verdadeira aprendizagem. Procuraram ainda na paisagem envolvente ao local e nas proximidades, entre construções meio arruinadas, pedreiras de mármore, pequenas lagoas ou amplos planos de água de barragens, campos salpicados por oliveiras ou sobreiros, procuraram e registaram em desenhos, pensamentos e sensações até se sentirem saciados. O passo seguinte foi surpreendente, tocados pela curiosidade e pelo desejo de aprenderem a fiar e a tecer. Em absoluto silêncio concentraram o olhar nos gestos e nas palavras da Isabel e como por magia tudo aconteceu num instante. Apenas uma alegria discreta nos olhares quando da lã se fez fio e do fios entrelaçados no tear se fez tecelagem. Palhas e pequenos troncos foram surgindo enleados na teia e na trama, incorporando a natureza, o de lá de fora cá para dentro, num gesto, numa imagem com enorme sensibilidade. Inesquecíveis silêncios e olhares de grande cumplicidade. Os que partiram e os que ficaram saíram sem sombra para dúvidas, enriquecidos …
E os que partiram em maio, regressaram em junho. Ami e Amachi, acompanhados pela equipa técnica e artística que lhes é próxima, composta pelo Jan (modelo), pelo Go (fotógrafo), pelo Yuto (realizador de vídeo) e pelo Yuma (músico), regressaram a Vale de Gatos num gesto único de coerência artística, para no local onde se inspiraram e criaram a nova colecção, a vestirem, fotografarem, filmarem e comporem o seu tema musical. Chegaram com as malas repletas, autênticas visões de olhares atentos e verdadeiros, que souberam ler, sentir e interpretar o sítio e que rapidamente se espalharam pelo estúdio, com um sentimento de estarem em “casa”, entrando e saindo para as diferentes sessões de trabalho, ora até à ruína ou campo mesmo ao lado, ora viajando até uma velha parede de um convento na vila, quando não até à pedreira ou barragem mais distante ao entardecer. Formas, texturas, cores, detalhes, fruto de olhares e sensibilidades vindas de terras tão longínquas, que souberam encurtar distâncias, aproximar diferentes formas de sentir, uma experiência única para todos os envolvidos, digna de ser partilhada.